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domingo, 5 de novembro de 2017

Leituras do mês: outubro

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Leituras do Mês: outubro.

O mês de outubro foi bastante produtivo, já que aprendi a conciliar as leituras da faculdade com as minhas leituras de entretenimento, quer dizer, mais ou menos, e minha explicação é essa aqui: passar mil horas por dia, de ida e volta da faculdade, no ônibus, ajuda um bocadinho em acelerar as leituras de-livros-não-obrigatórios atrasadas (convenhamos, passar todo esse tempo sem fazer nada é um tamanho desperdício), afinal, não vou ficar lendo artigos que eu não entenderia sem se eu estivesse em um mosteiro, imagine em um ônibus lotado... (eu mereço relaxar um pouco, vai).

Me senti um pouco mais inspirada em tanto escrever quanto em cuidar do blog (eu amei o novo layout, inclusive), então estou animada. As coisas na faculdade andam um tanto estressantes, mas nada que um último mês de aulas não ajuste e é verdade que será uma tamanha correria, mas nada que alguém que ame trabalhar sob pressão não consiga, certo? Ah, conheci os sebos de Manaus e: meu deus, que Você abençoe as permutas de livros!!! Finalizando essa rápida introdução, estou pensando em algumas postagens diversas para o blog, tanto questões literárias quanto sociais e pessoais, então vamos torcer para que eu possa sempre mantê-lo atualizado... :P

            Agora eu estava pensando em trazer este quadro que é muito comum, popular e de gosto geral: as leituras feitas durante o mês.

Como eu disse, o mês de outubro foi bastante produtivo para mim, então segue a lista as minhas leituras, o que elas abordam e minhas impressões sobre.



1. Cidade Murada, Ryan Graudin


A Cidade Murada que intitula o livro de fato existiu, há algumas décadas, na China. Essa cidade que o livro nos apresenta retêm uns traços realistas da cidade verídica, mas a do enredo é fictícia. São nos apresentados três personagens que têm como objetivo em comum: a fuga d’A Cidade Murada. Dai é um rapaz que carrega muitos fardos do passado e mistérios para quem tem apenas 18 anos, Jin Ling é uma menina de 14 anos que se passa por um órfão marginal das ruas imundas da Cidade e que busca sua irmã, Mei Yee, que foi vendida por seu violento pai a um influente empresário cafetão e traficante. Com o desenrolar da história, nós vemos os personagens tendo seus vínculos afetivos sendo desenvolvidos e aproximados, além de interagirmos com suas vidas, personalidades e decisões, muitas delas arriscadas, contudo, necessárias. O livro te apresenta uma angústia sem igual, faz você sentir medo, nojo e dor, além de esperança e alívio quando os núcleos dos personagens se encontram para tomarem decisões. Além de todo um enredo muito rico, a história da maravilhosa Ryan Graudin nos oferece o cenário calamitoso da omissão do Estado com a vida humana de sua própria nação e uma realidade deveras tangente sobre o tráfico humano e sexual que ainda é um fato veraz na nossa história.

            Eu conheci o livro por meio dos vídeos de final de ano do Victor Almeida, em seu canal no Youtube, o Geek Freak. Lá ele disse que essa leitura foi a melhor de um dos seus anos de canal, mas por mim, não foi dessa vez! O livro é sim muito bom e eu falei dele no meu Instagram.

        2. O Jogo do Amor e da Morte, Martha Brockengrough

Eu particularmente achei que o livro era apenas mais um romance histórico do início do século XX. O que ele não deixa de ser, é claro. Mas ele é bem além disso. O livro é sim um romance, é sim retratado no início do século XX e é MESMO sobre um Jogo (com J maiúsculo, se me permitem) em que o Amor e a Morte competem. De forma rápida e direta: o Amor e a Morte são seres conscientes, com poderes (como controlar o espaço e tempo e o destino, tudo bem básico, sabe?) e podem incorporar quaisquer coisas, seres vivos e pessoas; além de muito influentes, eles às vezes ficam entediados de viverem ou matando ou tentando fazer as pessoas se amarem em períodos de Guerras e milênios a fora, então por isso eles jogam. Cada um dos oponentes escolhe uma pessoa e assim, dentro de um período de tempo, elas devem se apaixonar, caso contrário, a Morte ganha e ela leva mata seu jogador. Se o Amor ganha, seu casal fica junto e feliz para sempre ou até a hora dos dois chegar até o limite.  O casal da vez é a Flora e o Henry e eles têm todos os motivos do mundo para não ficarem juntos, principalmente porque: ela é negra e ele branco e loiro e eles estão no início do século XX.

            Eu falei a minha experiência de leitura lá no Silêncio Contagiante em uma resenha.

     3.  Quarto, da Emma Donoghue

Por favor, ao lerem este livro, tenham consciência que vossos psicológicos estejam em equilíbrio, coisas que o meu nunca esteve e nem estará, mas vida que segue. Afinal, QUE PUTA LIVRO FORTE, meu deus. A história é narrada pelo recém aniversariando de cinco anos, Jack. Ele é muito forte, muito esperto, inteligente e vive com a Mãe, no Quarto. Na cabeça dele e com todas as informações que lhe foram dadas pela Mãe, lá é o único mundo para ele disponível, ou seja, do lado de fora da Porta, são outros espaços siderais, cada um com suas particularidades. A única oportunidade que eles têm para conhecer os outros mundos é pela TV. A Claraboia é o portal deles para o Rosto Dourado de Deus. A Cama é onde a mãe descansa e o Guarda-Roupa é onde o Jack descansa com suas roupas. Para ele, esse é seu único mundo; sem outras opções. Mas o que ele ainda não está pronto para saber, é o que a Mãe, na verdade, não apenas apareceu no Quarto como ele. Na verdade, a Mãe foi “roubada” pelo Velho Nick e está sequestrada por ele há sete terríveis anos, sendo abusada, violentada e torturada por todo esse tempo. Desesperada com a ideia de ser mantida presa para sempre com Jack sem que possa lhe mostrar o que é a liberdade, a Mãe começa a arquitetar um plano genial para que possam escapar de lá.

            O livro é conduzido pela perspectiva de uma criança de cinco anos, mas mesmo assim, conseguimos absorver todas as sensações que o livro nos mostra, as circunstâncias, os desejos, os medos e as surpresas. O livro é genial, é doloroso, temeroso e muito, muito amável.

4               4. Quarto de Despejo, da Carolina Maria de Jesus 

Eu posso dizer que outubro foi um mês de leituras muito pesadas. Todas, com exceção do último livro será comentado logo, abordavam assuntos de pautas sociais e críticas fortes. Mas de todos, Quarto de Despejo é um livro biográfico, os relatos que a Carolina escreveu, eram excertos de seus diários escritos na década de 1950, na favela de Canindé, São Paulo.

            Carolina Maria de Jesus era uma mulher, mãe de três filhos, independente e catadora de papel e latinhas, a base essencial de todo o seu sustento. Página após página, são relatadas cenas de seu cotidiano de extrema pobreza, chegando ao ápice da miserabilidade, e da luta pela sobrevivência da vida marginal. Frustrada, cansada, mas sem perder as esperanças, Carolina lutou dia após dia contra a fome e falta de dinheiro buscando sempre o melhor para os seus filhos. Brigas na favela, violência doméstica, violência contra crianças e idosos, alcoolismo, roubo, adultério e outras maiores mazelas são descritas pela autora, retratando a realidade que boa parte da população batalhava nos anos de 1950 e que, de forma mui decepcionante, nos anos de 2000 – quase 2020 – ainda morrem tentando viver.

            Quarto de Despejo é mais que uma leitura obrigatória para a consciência de classe, para a consciência de gênero e para a consciência de raça.

5. Muito amor, por favor, quatro autores bem fuén fuén fuén.

Sempre vai ter um livro que você só vai querer terminar de ler para poder ter a liberdade de falar mal depois, né? Esse foi o caso.

            A proposta do livro, que nos é apresentada logo lá nas primeiras páginas, é de nos mostrar a mágica visão dos homens sobre o amor, “sem ligar aos estereótipos de macho machão ou de homem mega sentimental”. A proposta não foi seguida e eu realmente, realmente fiquei com uns ascos para a maioria dos textos lá publicados.

            O livro é uma mistura de textos sobre amor, minicrônicas, poemas, poesias e letras de músicas escritas vinculando o amor a algum dos quatro elementos: fogo, terra, água e ar.

            O primeiro autor, aborda o amor como fogo e o que ele mais sabe falar é: ele sofreu por um grande amor, mas consegue conquistar toda e qualquer garota falando sobre seu blog e umas frases feitas de oh meu deus eu sou um garanhão e no final eles estão se agarrando e ele fala sobre se entregar ao amor (eles se conheceram há... sei lá, duas horas?). E volta a algum amor não correspondido – ou não declarado – por alguma amiga de escola e vem com aquele discurso nojento de “você nunca vai encontrar um omi melhor que eu porque os outros não vão saber seu sabor de sorvete favorito”. O outro autor, que palavra sobre o amor como terra, mostra totalmente um amor dependente e que é praticamente impossível encontrar algum indício de individualidade porque essa mesma é perdida nessa visão sobre o amor (único lado que eu posso apontar como positivo, é que o autor pareceu configurar o amor entre dois caras). O Arthur Aguiar (sim, o de Rebeldes) também está escrevendo eu acho esse livro e, por incrível que pareça, os 25% dele foram os melhores; todos seus textos são bem desenvolvidos (a maioria dos outros textos não conseguiram se desenvolver tão bem assim, provavelmente porque os textos tinham que ser muito curtos) e todos têm uma ligação direta com o elemento dele, a água. Além dele ir além do amor-só-carnal-de-menino-e-menina, lá ele fala de amor ao próximo, de amor e amizade e amor pelo meio ambiente, bem meigo, né não? O último, que foi responsável pelo ar, foi também mais ou menos bom, pois assim como o Arthur, ele não focou no amor romântico e conseguiu focar na individualidade também. Pecou quando escreveu que para uma mulher se sentir completa, ela tem que estar com alguém boy. De resto... de cinco estrelas, dou uma e meia. ;P

Meu deus, eu acabei falando muito para quem não gostou

As leituras que estão em andamento para novembro:

·         Meus dias com você;
·         Invisível;
·         A História do Cerco Lisboa;
·         Destino.


Várias leituras mesmo e uma Ket enlouquecendo com a faculdade.