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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

WARNING: texto tóxico, não leia

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Sobre a minha auto sabotagem



Na confraternização de final de ano na faculdade, tornou-se explícito que eu sou a isolada da turma. Eu não imaginei que aquilo pudesse ser uma quase verdade tão absoluta entre todos lá envolvidos, e pelo que eu pude ver em seus sorrisos, soou como algo positivo a eles. Mas, duas coisas: não é algo que eu seja assim por escolha própria (eu, por mim, nunca seria assim) e com certeza não é algo tão absolutamente tão positivo. E para ser sincera, eu não sou isolada. O que ocorre lá é eu preferir ser mais reservada uma vez que já me falaram que eu sou “muito assim”, que eu falo “muita merda” e que eu sou “muito boazinha”; tudo resultado de eu tentar ser agradável naquele ambiente, tentar ser participativa nas aulas e tentar fazer jus a minha posição como estudante em permanecer durante aulas e provas. Tentativa falhada, pelo visto...

Agora, minha postura tendeu a mudar. Nesse último ano, admito que acabei por “me reservar”, já que uma vez que naquela sala, com algumas daquelas pessoas, eu presenciei a situação de pessoas criarem seus círculos de amizade baseadas no grau de quem fala mal de quem e quem faz piada de quem. Fui traída por pessoas que o meu sexto-sentido-de-pessoas-que-não-valem-a-pena-ficar-perto avisou sobre não ficar por perto, mas meu sufoco por amizades foi mais forte e me iludiu na esperança de poder ter amigos na faculdade. Em mais um experimento fracassado de tentar fazer amigos, fui tratada com desgosto, falta de educação e menosprezo no intuito que eu me afastasse. Sem explicações ou prestações de contas, pelo que eu pude ouvir, eu que procurasse correr atrás e buscasse esclarecimentos. Eu tenho uma carinha de boba e, por diversas vezes, sou inocente, mas eu ainda tenho resquícios de orgulho em mim para poder admitir algo: se não me quer por perto e sequer me dá o direito de resposta ou alguma justificativa, farei o que sempre foi o melhor para mim, que sempre foi o afastamento. Na faculdade, isto resultou no meu aparente “isolamento”.

Sempre preferi fazer trabalhos ou provas de forma individual, mesmo quando houvesse a possibilidade de eles poderem ser em grupo ou dupla, pois parte de mim me sabota e diz que não sou capaz de alcançar algo. Então, se eu fizer algo em conjunto com alguém, a minha parte será sempre a mais fraca e com ela, será evidenciado um declínio na nota. A culpa será minha. Alguém acabará sendo prejudicado por minha (ir)responsabilidade. Logo, prefiro fazer as coisas sozinhas, pois assim, quem irá afundar será somente eu, sozinha e com a frustração voltada exclusivamente para mim.

Eu sempre fui sozinha. Eu cresci envolta de muito amor e muito carinho, mas sem a presença de alguma criança por perto. Eu brincava e falava sozinha. O canal Nickelodeon foi meu melhor amigo até meus 14 anos, provavelmente. As crianças da rua eram muito mais velhas que eu e acabavam por me deixar de lado, sempre sendo a “café-com-leite” nas brincadeiras. Uma vez, duas delas com 10 anos, me prenderam na cozinha de uma de suas casas, contando que a bruxa me pegaria. Eu tinha 5 anos, estava aos prantos, tremendo e com medo. E elas gargalhavam... lembro até hoje das risadas banguelas. Talvez aquilo tenha gerado algum trauma em mim, mas eu, hoje, morro de medo de ficar em lugares escuros. Uma pessoa que não-deve-ser-nomeada me batia durante a infância, adolescência e juventude por eu não lhe responder direito, por fazer algumas brincadeiras que não lhe agradavam e hoje eu sou conhecida por ela como uma mal-agradecida e respondona que não respeita ninguém (como eu vou tentar respeitar alguém que puxava com tanta força os meus cabelos durantes as brigas que eu ficava com o meu couro cabeludo dolorido por dias?). Meu pai abandonou a mim e a minha mãe quando eu tinha um ano e meio para cuidar da família dele. Tudo isso gerou em mim muita insegurança, medo e a certeza de que eu não mereço ser amada (palavras de outra pessoa-que-não-deve-ser-nomeada) por não ser o suficiente para nada. Passei horas acreditando que eu não merecia ser feliz porque uma senhora, na saída do ônibus, falou para mim, quando me projetei em frente às portas abertas do locomotivo, “Dá para eu sair primeiro?” e eu lhe dei apenas um bom dia. Ultimamente, meus dias se resumem em ser uma menina exausta quando acorda, com dores de cabeça sem explicações, aflições no peito, cólicas intestinais e muitas azias. Quero ficar na cama o dia todo para ver se eu posso esquecer das minhas obrigações e com algum esforço mental, elas sumam assim mesmo, num passe de mágica.

Muitas vezes, durante a escola, eu não conseguia aprender nada de Matemática, Biologia, Física ou Química. Por mais que eu visse vídeo-aulas, participasse das aulas com perguntas e idas no quadro. Nas provas, se eu não fizesse algum esquema, eu zeraria todas elas. No vestibular, inclusive, muitas das provas de exatas ou biológicas tinham apenas um acerto ou outro no meu resultado... tudo porque eu provavelmente chutei. Já na faculdade, eu faço provas e trabalhos consciente de que eu nunca nem jamais vou conseguir algo além da média. E essa certeza sempre se evidencia lá no Portal. Eu me esforço, estudo e me planejo, mas o meu teto é alcançar a média e nada mais extraordinário. Tal certeza me frustra e grita para mim toda a minha incapacidade de ser alguém além do que se tem como ordinário. Não adianta eu acreditar em algo, pois eu nunca vou além. Não adianta eu sonhar com algo, pois meus sonhos não vão sair do plano imaginário da minha vida. E me dói saber que estou fadada a isso tudo... Eu queria mudar e ser melhor, mas não adianta. Já tentei tanto, mas nunca fez efeito. Serei mais um grão de areia em torno dos majestosos pedregulhos estupendos nas praias.

Todas essas coisas fizeram eu criar essa proteção dura em mim, esse sentido de não querer, mas de ter que repelir as coisas que possam me circundar. Eu já me machuquei muito, ao ponto de não conseguir me cicatrizar tão rápido como antes. Eu sou muito magoável, toda e qualquer palavra que possa ser proferida para mim pode soar de um jeito que possa me desestabilizar e fazer eu duvidar de todas as minhas capacidades ou chances. Logo, ficando longe das pessoas, eu me crio a certeza de que não irei mais me machucar, porque se isso acontecer, não faço ideia de quanto tempo levarei para me recuperar. A última vez que fiquei em cacos, levou muito tempo para que eu pudesse recolher todos e trazer de volta o que eu me tinha de bem e de bom.


Os poucos amigos que eu tenho me dão a certeza de amizade, o meu namorado (agora esposo) me dá amor e carinho e tenho uma mãe que me dá colo e amparo. São essas e por essas pessoas que eu tenho me manter em pé e ser um pouquinho mais forte todos os dias. Infelizmente, são esses acasos na faculdade que me atingem e atiçam tantos gatilhos diante a minha segurança sobre mim.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

a volta em que se fala da faculdade

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                Faz muito tempo que eu não entro aqui, huh? Mas tudo bem, uma hora ou outra as coisas podem voltar, recomeçar, ganhar uma nova perspectiva e tudo o mais, o que não podemos deixar é que algo que nós gostamos tanto de acabar ou parar ou MORRER porque não temos tempo ou seja lá o motivo, como o meu de tempos atrás que era não ter computador. Pois bem, continuo sem computador, mas meu namorado tem um e olha que legal: ele tem Word! Posso escrever lá, meu namorado deixa e o meeeeu namorado é bem legal. Pois é, agora eu tenho um computador e tenho um namorado que empresta esse computador para mim.

                Há um ano, período mais ou menos que eu postei o último texto aqui do blog, eu estava na mais completa merda. Isso mesmo, sem eufemismos ou outra palavra que possa expressar isso melhor, eu estava na fase mais cocozenta da minha vida naqueles 18 quase 19 anos. Mas nossa, muita coisa de lá para cá mudou. Inclusive e principalmente, eu mesma.

                Mas o texto de hoje é para fazer um mero desabafo sobre a faculdade. Já fiz um parecido, mas na época eu tinha 17 anos e ainda estava na escola e não tinha tanta noção da cabeça humana como eu tenho agora. Não que eu tenha muito agora, né. Mas de quase três anos para cá, muita coisa mudou, principalmente... tudo.

                Há um ano, mesmo muito bad e passando por uma fase difícil, eu absolutamente amava a minha faculdade e era louquinha, louquinha pelo curso, simplesmente amava todas as disciplinas e não via outro lugar senão a faculdade para ser o meu lar.

                Well, muitas coisas mudaram. Certo, ainda amo meu curso. E beleza, ainda não me vejo em outro curso. É só que...

sábado, 26 de novembro de 2016

esse texto é sobre decepção

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Decepção é esperar o mínimo de alguém e deparar-se que sequer foi respeitada. Decepção é esperar que seu amor seja valorizado, mas no final das contas, você foi desprezada. Decepção é esperar respeito e ter, como resposta, todos os níveis de traições possíveis. Decepção é se arrepender de ter sido boa, de ter confiado, de ter amado e desejado e ter sentido algo genuíno.

Decepção é você se sentir perdida, desamparada, solitária enquanto dizem que te amam. Decepção é você amar de verdade quem te cerca, mas não sabe se eles pelo menos te desejam algo bom. Decepção é você saber que não pode confiar, mas queria tanto poder isso. Decepção é você sentir saudades da pior época da sua vida porque você jamais imaginaria que as coisas só piorariam. Decepção é você conhecer alguém, conseguir tornar aquele alguém (enxergá-lo assim, pelo menos) como alguém maravilhoso, de bom coração, nunca querer perder essa pessoa e ela te apunhalar, não pensar em você, destruir seus sentimentos, amores e psicológico. E não ser aquela pessoa que você imaginou que ela fosse.

Decepção é você ter tantas crises e não fazer ideia do que elas sejam, mas na verdade você talvez tenha ideia, mas tenha medo. Decepção é você não aguentar mais ter essas crises. Decepção é você não conseguir evitar que essa tristeza apareça do nada e destrua seu dia. Tristeza é você querer tá bem, desejar isso, mas se sentir cansada e querer chorar, sem saber o motivo para isso. Quer dizer, são tantos, mas você ainda assim não sabe o motivo. Você só está cansada.

Decepção é ouvir que a ditadura foi uma época boa, já que bandido não andava na rua, que só era torturado quem merecia (sendo que pessoas aleatórias, que infelizmente estavam no lugar errado, na hora errada, foram destruídas com essas torturas), decepção é você ouvir que não tem preconceito com gay, mas com sapatão sim e isso não é homofobia. Decepção é você sair da sua bolha de privilégios e se sentir perdida por não saber como ajudar e mudar a vida das pessoas que estão numa merda pior que a sua. Decepção é saber que você só pode contar com sua família, já que seus amigos ainda são amigos de quem foi cúmplice de quem despedaçou seu coração e aniquilou a pouca confiança interna que você tinha e você não pode fazer nada. 

Decepção é você sentir fome, mas não apetite (ou vice-versa). Decepção é você tá amando seu cabelo, mas não conseguir achá-lo atraente. Decepção é você ficar feliz com um casal e desejar que eles sejam felizes para sempre, mas temer que você nunca tenha isso, porque você não consegue mais confiar. Decepção é você não está no grupo de amigos do Whatsapp em que todos seus amigos estão lá (e eles dizem que te amam e você quer acreditar nisso porque você os ama, mas mesmo assim, isso magoa, essa exclusão). 

Decepção é você querer se libertar de várias correntes que te machucam, mas você ter tanto medo de se machucar mais. Porque você sabe que vai, porque sempre foi assim. Decepção é você está a um passo de cometer uma grande merda, mas você quer fazer isso porque você cansou de esperar a pessoa certa, já que ela não existe e você quer se divertir um pouquinho, poxa. Decepção é morar longe. Decepção é você morar longe de tudo. 

Decepção é você não conseguir rir de coração, porque sua mente tá falando que aquele momento vai acabar.
Decepção é você ter amigos que se importam mesmo contigo, mas estarem tão fodidamente longe de ti.
Decepção é você pensar muito.
Decepção é te cobrarem para ficar bem, sendo você quer ficar bem, mas não sabe como. Na verdade, não lembro nem como é estar bem mais. Decepção é fazerem você se sentir culpada por isso. 
Decepção é você ter sido traída por tantas pessoas. E por aquela pessoinha que você tanto sonhou que era a pessoa. E você sabe que ela não merece nenhum espaço nos seus pensamentos.

Ódio, mágoa, raiva, desejar a infelicidade aos outros são coisas ruins. Mas a decepção é destrutiva e te aniquila porque ela cria raízes na tua alma, se tornam cicatrizes que ao olhar pros nós dos dedos ou pra perna, elas estarão lá para te dar um tiro na cara. Então sentir essas coisinhas (ódio, mágoa, raiva) ou desejar outras coisinhas (que elas sejam infelizes, que as vidas delas se tornem insuportáveis, que elas sintam 1% da decepção e desespero que você sente ao acordar) te acalenta um pouco. E você não se sente culpada por isso... na verdade, se sente aliviada.

Decepção é você tá amando seu curso, mas sonhar com aquele outro.
Decepção é você saber que as pessoas erraram contigo, saberem disso e ainda assim, fogem da culpa.
Decepção é te cobrarem coisas que você SIMPLESMENTE NÃO IMAGINA O QUÊ. E te fazerem sentir culpada por isso. 
Decepção é pensar muito. Decepção é ter muito medo. Decepção é ser tímida, medrosa, insegura demais. Sentir decepção de uma forma tão vívida é decepcionante.

Decepção é te julgarem por estar decepcionada e não imaginarem o buraco negro que a sua vida se tornou. Mas não te ajudarem, só cobrarem. Não é somente por ele, por elas, pela lealdade. É pela infância solitária, pelo abandono afetivo, é pela escola tóxica, é pela violência da que não deve ser nomeada. 

Decepção é sentir saudades. Decepção é se sentir incapaz de muita coisa. Decepção é medo de decepcionar... 

Eu não fico triste porque quero. Meu humor oscila em 20 minutos umas 5 vezes e eu não faço ideia do que fazer para evitar isso. Eu só me sinto cansada e desanimada. 

Decepção é você querer ser amiga das pessoas, mas não ter tanta intimidade para isso. Mas você as ama mesmo assim, porque sentir amor e se sentir feliz por elas te alivia um pouco (mesmo que por três segundos e você ver o sorriso delas e saber que elas sabem que são sinceros seus desejos de felicidades para elas). 

Decepção é ter medo de ser uma péssima amiga. Ter medo de não poder ajudar porque já tem problemas demais. De ser impotente. Ser inconveniente. 

"O medo pode destruir seu coração", mas ah, cara, a decepção esvazia a sua alma.

E esse texto não merece fotinha.