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sábado, 14 de janeiro de 2017

i'm getting old

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*Olá, eu me chamo Kethycia, tenho 19 anos e estou tendo a crise dos 20 anos
~oi kethycia, uma pequena platéia me recebe.

Me acho velha demais para pintar o cabelo, fazer cosplay, escrever ou ler  fanfics, tietar artistas, usar certos tipos de roupas ou acessórios, assistir ou ouvir certos gêneros de entretenimento. Em resumo, me sinto velha.

(velha até para escrever num blog cof)



Já cheguei no momento em que músicas que eu ouvia serem hits na rádio ou televisão, filmes e séries favoritas completarem 10 anos (ou mais). Já tenho amizades que têm mais de 15 anos e esse ano, inclusive, farão 10 anos que eu e uma das minhas melhores amigas nos conhecemos. Hoje, artistas que bombam (esse termo com certeza já entrou em desuso, né?) na mídia - ganham milhões com próprias autorias ou com o próprio nome - são mais novos que eu. OU, "pior" ainda, artistas considerados pessoas feitas, adultas e maduras são apenas dois ou três anos mais velhas que eu – ou tem a minha idade! E isso além de fazer eu me sentir velha, faz eu me sentir meio inútil. hehehe~

Observo o quão imatura eu era com 13 anos, mas que eu já me achava bastante adulta. Aos 15 anos, eu tinha consciência da minha imaturidade de dois anos antes – mas mesmo assim, continuava me achando bastante madura por saber o óbvio. Hoje, aos 19 anos, vejo que a minha eu tanto de 13 quanto a de 15 anos não passava de uma criança. E eu estou aterrorizada, num bom sentido - se este existe -, pois eu sinto falta daquela segurança que eu um dia já tive e eu sei que provavelmente não tenho 1% da maturidade que eu deveria ter nessa altura do campeonato já que sou considerada uma adulta (ou quase isso). E daqui a pouco farão 10 anos que eu completei 10 anos. É duro e assustador ter consciência que eu ainda tenho que absorver tantas coisas, mesmo que essas coisas sejam desconhecidas para mim.

Minha eu de 12 anos atrás tinha coragem de arrancar os próprios dentes, a eu do presente treme ao passar o fio dental, então imagina passar pelo processo do amolecimento dental e arrancá-lo dias depois. Fico zonza só de imaginar. Tentei ouvir kpop há alguns dias e, mesmo ainda gostando, não é a mesma vibe que eu sentia quando tinha 15 anos. O ânimo de pesquisar dezenas de bandas desconhecidas de folk, indie pop e rock alternativo? Ficou com a minha versão de 14 anos que passava o dia arriscando a saúde do computador ao acessar sites maliciosos para baixar álbuns. Minhas playlists atualmente se resumem em músicas clássicas dos anos 2000, bossa nova (meados dos anos '50, '60 e '70 mesmo) e MPB (tanto o de raiz quanto o contemporâneo). Prefiro assistir séries já terminadas porque minha energia para maratonar ou para acompanhar assiduamente episódios inéditos ficou em 2009 – eu cheguei a assinar um pacote na rede telefônica para ser avisada quando o episódio novo começasse na TV, olha quanto empenho (levava altíssimas broncas por "desperdiçar" o crédito telefônico da mamãe com isso, mas convenhamos, era um tremendo investimento, não?). Hoje as séries terminam e eu fico bastante "ata" quando descubro isso - anos depois do término, aliás.

Pessoas nascidas em 2000 e diante já sabem ler, escrever e, inclusive, debater. Se apaixonam (naram e narão), se divertem em festas, iludem ou são iludidas... e com certeza, uma grande parcela dessa turma já beijou mais bocas que eu. E elas já estão passando no vestibular também! Um dia eu vou entender o porquê de eu me chocar tanto com isso. Tem uma galerinha com quem eu converso que nasceram no ano que eu comecei a estudar... e eu já estou indo para o segundo ano... da faculdade. Falando em estudo, muitas meninas e meninos com quem eu estudei já constituíram família, noivando e tendo filhos, isso está bem longe dos meus planos, mas eu fico feliz com  o progresso de cada um e com suas felicidades.  É estranho ver que pessoas que eu cresci junto, já estão tendo os próprios filhos. E eu não sei nem se eu parei de crescer ou não. 

Eu com 5 anos era mais corajosa do que eu sou agora. Eu tinha uma segurança absurda com 12 anos em relação à escola. E eu era bem mais aventureira, sem medos,  com 3 anos. Minha auto-crítica era favorável e otimista logo quando eu comecei a escrever, meados de 2009-2010, e eu me afundo na insegurança de um trabalho falido. Em que buraco essas coisas foram parar? Não posso resumir minha vida adulta à insegurança e ao medo de fracassar.

Eu sei que eu ainda tenho muito para amadurecer e crescer. Obviamente, tendo essa noção, evitarei ao máximo tomar atitudes que eu consideraria infantis... mas acho que o que mais  me chateia nessa crise é sentir falta da euforia que eu tinha no auge da minha recém falecida adolescência. Eu ouço algumas músicas ou vejo alguns episódios aleatórios de séries aleatórias e eu sou socada por uma onda tão forte de nostalgia que eu fico absurdamente tonta, de verdade. Bate uma saudade e uma tristeza bem melancólica por saber que aquela fase lá já passou e eu tenho que aceitar isso. E bate um desespero por ficar na dúvida se eu soube aproveitar aqueles momentos ou não. Algo me diz que sim e me explica o motivo para eu ficar tão interrogativa em relação a essa nostalgia: eu não tinha a maturidade que tenho hoje e me deparo com outras faces e dimensões dessa minha fase e me afogo com a quantidade de possibilidades que eu poderia ter tomado caso a minha cabeça fosse outra. Mas eu aproveitei sim. Só que com outra cabeça.

Se eu me encontrasse com qualquer eu de anos atrás, eu só pediria para ela paciência. Só isso. Tem sua hora para tudo e a minha, para tudo, chegaria (como chegou). Então valeria a pena. Mas que eu mantivesse a cabeça sempre erguida e cultivando a paciência.

Esse texto é mais uma lista de coisas que fizeram eu me sentir velha hahaha. A intenção não é negativa, ou causar alguma reflexão, por incrível que pareça. Fiz apenas um parâmetro. Por exemplo, os problemas que eu imaginava ter há 5 anos , atualmente me fazem gargalhar, porque eles eram puramente tolice e é tolice que eu vejo transpirar de tantas crianças de 13 anos reclamando, sabe? Não é por maldade, é apenas uma comprovação da imaturidade... Acho que é esse o nome.

2016 foi o ano em que eu mais aprendi coisas, e eu sei que 2017 - e adiante - será uma continuidade disso. 

E eu estou bastante confiante. :)

*é, acho que eu já terminei, obrigada *
~obrigada, kethycia *
e então, eu aceno e digo tchau.



(parabains marcio, te amo)