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sábado, 28 de abril de 2018

Leia Mulheres - Março e Abril

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Tá, o de Março não saiu a tempo. Mas o finalzinho de abril chegou e ele puxou março junto, então teremos DEZ indicações maravilhosas escritas por mulheres para o nosso #LeiaMulheres do mês. Caso você não saiba o que é essa nossa postagem mensal, calma, eu te explico: essa campanha existe há alguns anos e tem o intuito de divulgar o trabalho de autoras mulheres ao redor do mundo. Vamos às indicações:



1 – “Quase fim”, da Leila Plácido



Ano de publicação: 2016

Do que se trata: Baita livro amazonense que nos mostra uma Manaus apocalíptica nas páginas do diário da menina Zoé, a única sobrevivente de sua família que fugia dos bombardeios que estavam ocorrendo recorrentemente pelo mundo. A cada página, Zoé reflete sobre a vida, além de fazer um retrospecto do que um dia foi a sua rotina com a melhor amiga, seus animais de estimação, seus pais e uma paixão. Refletimos sobre nossas atitudes, nossa compostura e choramos com o enredo desse livro forte.

2 – “Yaqui Delgado quer quebrar a sua cara”, de Meg Medina



Ano de publicação: 2015

Do que se trata: Bullying, violência doméstica, maternidade solo são os temas bastante pesados discutidos dentro do livro. Piedade, chamada pelo apelido carinhoso de Pid, é filha de imigrantes latinos e não tem lá tantas características de uma descendente de latinos deveria ter; a não ser o seu rebolado que aprendeu a adotar recentemente. E isso lhe traz problemas: é novata na escola e acaba chamando a atenção do namorado da Yaqui Delgado. Andando nos corredores Pid é avisada: é para tomar cuidado, parar de rebolar a bunda por aí, pois a Yaqui quer quebrar a cara dela. É um livro fino, porém pesadíssimo. Uma das leituras marcantes do ano passado. A autora, Meg Medina, é descendente de latinos, então ela conhece direitinho todo esse cenário do preconceito nos EUA e tem propriedade para criar a narração da história.

3 – “Nimona”, da Noelle Stevenson



Ano de publicação: 2016

Do que se trata: esse livro aqui é uma excelente, divertida e super bem feita graphic novel criada pela Noelle Stevenson (artista que já trabalhou nas produções de Hora de Aventura!); a nossa história circunda o novo trabalho da Nimona, que é ser a ajudante do grande super vilão da história. Ela, a maior anti-heroína ever que matar tudo e a todos, quer sangue, vísceras e o terror nas ruas. Mas o Lorde Ballister não segue muito esse forró não. Ele é vilão, mas só de título, seus planos sempre dão errado e ele não quer ferir TANTAS pessoas assim. A história carrega uma profundidade dessa visão maniqueísta que rege o mundo e vemos como tudo consegue pode ser definido por nossas escolhas e que postura decidimos adotar sobre determinadas circunstâncias que a nossa vida mostra. Discute nossa visão sobre o sistema, como a diferença é lidada e discutida. Além dessas mensagens lindas, o livro é muito, muito engraçado. Dá para ler em um dia fácil, fácil.

4 – “Amor Amargo”, da Jeniffer Brown



Ano de publicação: 2015

Do que se trata: Foi uma leitura que me machucou muito, muito, muito... é um livro pesado, cada página era um tapa na cara que você lê, para e se pergunta: como ela, a protagonista, conseguiu entrar nessa dimensão? E o pior: como a situação, de relacionamento abusivo, pode ser tão real e acontecer no nosso dia-a-dia? Essas reflexões e outras mais são feitas de acordo com a leitura do livro da senhora Brown. Conhecemos uma moça com muito potencial, mas que aos poucos, vai sendo fragmentada por um ser descontrolado, louco e agressor. Sofremos, choramos (eu passei semanas mal depois de ler esse livro) e acordamos para uma realidade que nunca deveria ter existido.

5 – “Só as Mulheres Sangram”, da Lia Vieira



Ano de publicação: 2011

Do que se trata: São vários contos sobre várias perspectivas das pessoas negras sobre o mundo, principalmente as mulheres. São vários assuntos abordados nas 88 páginas do livro, desde pedofilia, do amor entre pessoas de meia idade bem-sucedidas, furtos, sonhos e medos. É uma leitura rápida e agradável.

6 – “A Música que mudou a minha vida”, da Robin Benway



Ano de publicação: 2009

Do que se trata: Que eu sou fanzoca de livros adolescentes, isso não é segredo. E esse livro é como se a história de uma comédia romântica tivesse saído de lá da Sessão da Tarde para as páginas do livro. A história é o seguinte: a Audrey namorava um boy e eles acabaram terminando; o boy ficou muito magoado e escreveu uma música sobre seus sentimentos para a banda dele. Sabe o que acontece? A música se torna extremamente popular por TODO O PAÍS. A Audrey que nem contato mais tinha com esse ex, passa a ser incrivelmente popular por todos os cantos, lançando até mesmo várias tendências, com direito a ser perseguida por paparazzis. O livro conta toda essa trajetória e tem um humor incrível.


7 – “A Cidade Murada”, Ryan Graudin



Ano de publicação:

Do que se trata: A Cidade Murada é um livro denso, espinhoso e dolorido. Dividido em três pontos de vista, as narrações percorrem três diferentes planos no mesmo mundo; a escrita conseguiu felizmente moldar cada personalidade em cada visão e o livro consegue te aprisionar, tão bem quanto os três protagonistas estão presos na Cidade Murada. O plot é inteligente, bem estruturado, mas não há nenhum twist que te faça ficar boquiaberto. Único detalhe que deixou a desejar foi o final, pois ele foi otimista demais em um prazo de tempo tão curto quanto a proposta.

8 – “Os Bons Segredos”, da Sarah Dessen



Ano de publicação:

Do que se trata: Simplesmente maravilhoso! Claramente sou suspeita para falar sobre esta leitura, afinal, é a temática e é o meu estilo de leitura predileto. Comecei a leitura ciente de que não era para criar altas expectativas, já que evito decepções (pelo menos as literárias). Com isso, deparei-me com uma narrativa e um enredo que há tempos não encontrava. Ainda mais, fazia tempos em que eu não ficava vidrada numa leitura tão amigável. A história é mais uma sobre uma moça que se sente deslocada da família, mas que acabou a encaixando no bagunçado quebra-cabeças da família de sua nova melhor amiga. Capítulos ágeis, narrativa simples e cativantes e um personagem mais apaixonante que o outro... Minha única crítica vai para a revisão do livro - ou a digitação? -, li algumas frases com palavras trocadas e coisas do tipo.

9 – “Eleanor & Park”, da Rainbow Rowell



Ano de publicação: 2014

Do que se trata: A Eleanor é a menina gorda, ruiva, solitária e pobre da escola – alvo em cheio para chacota e perseguição. O Park é o menino asiático, com pinta de gótico e prefere um milhão de vezes ficar na dela ouvindo música a ter que interagir com a galera “hurr durr” da escola. Nas voltas às aulas, a Eleanor acaba tendo que sentar ao lado do Park no ônibus, já que ele foi o único de todo o transporte que não demonstrou nojo ao ver a menina passando. A partir desse momento, a vida dos dois muda completamente. Esse livro de quase 330 páginas não fala “apenas” do amor jovem, mas sobre descobertas, aceitação e a coragem de ser quem você é e lutar contra a tudo e a todos que são contra você.

10 – “Quarto de despejo – Diário de uma favelada”, da Carolina Maria de Jesus



Ano de publicação: 1960

Do que se trata: Por meio das páginas de seu diário, a personagem Carolina Maria de Jesus escreve sua rotina monótona, porém angustiante de mãe solo, pobre, negra e favelada no Rio de Janeiro da década de 1950. Nas páginas dos livros, vemos a divagação da narradora-personagem e vemos como ela vê o seu mundo, ora tão caótico, mas tão seu. Aqui, ela luta pelo alimento diário de seus filhos, luta por seu espaço, luta para não ser julgada pela sua condição e corre atrás do que é seu por direito, mas negado por quem tem tudo. As páginas te tocam e te fazem refletir como aquela realidade, de meio século atrás, ainda pode ser tão viva e torturante nos dias de hoje.